As fantasmagóricas ações à distância, e a Arte

Como é misterioso o sistema que vivemos.

Nossa pesquisa bebe muito das fontes da física e da matemática, para experimentar sentimentos em forma de arte.

Tratei brevemente no post anterior deste blog, sobre o emaranhamento quântico, e de como a arte e outros campos do conhecimento se misturam em uma relação simbiótica, e gostaria neste post de explorar um pouco mais essa ideia.

Esta relação não é nova, a matemática e a arte sempre tiveram uma relação de pensar em conjunto, a matemática só concebe as formas, o volume e as dimensões a partir das artes, enquanto as artes se apropria das formulas e padrões da matemática. Assim como a matemática a linguagem segue um mesmo caminho com seus símbolos e sentidos, além de tantas outras áreas, a questão que desejo introduzir aqui e destrinchar mais adiante é, não é novo o fato de diversas áreas do conhecimento usarem experiências artísticas para explicarem aquilo que apenas fechadas em suas áreas não conseguiriam.

O emaranhado quântico, de forma bem simplória, investiga o fenômeno de duas (ou mais) partículas que estão tão ligadas entre si, que uma só pode ser descrita com as informações da outra, ou seja o comportamento de uma pode ser conhecido quando descubro o comportamento da outra, isso ocorre com uma ligação tão forte que mesmo que uma estejam do outro lado do universo, quase que instantaneamente uma irá influir na outra.

O fato de uma partícula definir o comportamento da outra de forma quase que instantânea, gera um grande problema para a física, já que nada deveria se movimentar mais rápido que a velocidade da luz, porem a informação entre estas partículas consegue este feito, esse até então, fato, levou o físico Albert Einstein a chamar esse comportamento de as “fantasmagóricas ações à distância”.

As teorias mais aceitas atualmente na física, é que essa “ informação” não viaja de uma partícula para outra, pois quando temos esse emaranhado entre as partículas, se cria um sistema entre elas, e ao agir sobre uma a outra reage, não porque essa informação saiu do ponto A e chegou no ponto B, e sim porque A e B são um mesmo sistema, onde apesar de serem dois separados, fazem parte de um conjunto, A e B de uma certa perspectiva são o mesmo apesar de serem separados.

O gato fantasma / Gabriela Lemos

Na física quântica, há o uso constante de termos como Incerteza e indeterminado, não para justificar uma incapacidade técnica de medir, mas como uma propriedade fundamental, uma partícula tem uma determinada característica indeterminada, pois até que vá medir, ela está em superposição, a partícula está em diversos estados ao mesmo tempo, essa teoria fica muito famosa, com o experimento físico/filosófico proposto Schrödinger, conhecido como o gato de Schrödinger, em que um gato em uma caixa está vivo e morto ao mesmo tempo.

Estas teorias físicas que parecem tiradas de um livro de ficção, com propostas cada vez mais loucas, que a cada passo de descoberta abrem mundos, possibilidades e “realidades” múltiplas, me faz pensar sobre a arte, e daí vem o real motivo de trazer estes conceitos, e pensar a nossa pesquisa.

O universo e nosso planeta inserido em seu sistema, é cada vez mais misterioso e mágico, onde o determinismo fica cada vez mais distante, e junto com ele as respostas Fáceis e simplistas ficam para trás. O indeterminado e o incerto viram fundamento e necessidade para a manutenção do todo.

Existe uma ideia que eu gosto muito: “A arte não serve para nada, e por isso serve para tudo”, a arte é arte, e se faz arte pela própria arte. A arte que não serve para nada, é atemporal e consegue o dito efeito de superposição, servindo para tudo, para todos e para sempre, até não servir mais.

Em um mundo cada vez mais de incertezas, posso dizer que apenas através da arte é possível traduzi-lo, quando nossa pesquisa pergunta e ouve as árvores, estamos fazendo um experimento pratico das incertezas, acessando e sentindo as superposições, os emaranhados, e tudo que ainda nos é invisível aos olhos. A arte as deixam visíveis e nuas. A pratica experimental da arte permite em diversos níveis, entrar em contato com o todo em nós, com o emaranhado que nos conecta.

Assim, a nossa pergunta as arvores, envolve toda uma experiência física/técnica/artística que caminham em conjunto, em uma ciência que não é determinista, que busca uma investigação acerca do desconhecido, explorando e experimentando relações que a física também se depara.

A Arte é desprovida de vaidades, eu acredito na arte como uma força que é porque é, sendo nossa forma incerta e indeterminada de externarmos algo que sabemos que temos, uma ligação, uma conexão com o todo, que ainda não sabemos explicar com palavras, apenas através do experimento da arte.

Quando digo que a arte não serve para nada e por isso é o todo, leia-se que a arte é infinitude, por isso ela consegue se sobrepor entre o tudo e o nada, o certo e o incerto. O experimento da arte é um instinto natural de conexão, entre algo que pode se manifestar do nosso lado ou do outro lado do universo, e em nós.

Muitos experimentos que áreas como a física, ainda não consegue fazer, nós artistas já fazemos, e talvez tenhamos coisas, que só através da força da arte, consigamos explorar, como os primórdio da matemática, e da linguagem.

A arte rupestre pode ser pensada como a primeira forma de linguagem que transcende o seu criador.

Obviamente tudo que disse aqui neste texto são conjecturas tiradas dos campos da física, da matemática e das linguagens, aplicadas em conjunto com a arte, sem ter a rigor uma relação teórica obrigatória com as teorias físicas, matemática e linguísticas, são possiblidades que servem as artes e pensam um possível todo.

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