Inicialmente gaguejemos

Estas são notas de pensamentos, em constante construção.

O ato de traduzir implica em um assimilar de palavras e sentidos aos seus respectivos “equivalentes” em outra língua, porem a fala constrói a forma de pensar e viver, sendo muitas vezes essas traduções falhas em sentido e significâncias, principalmente em traduções de línguas de troncos linguísticos distantes geograficamente ou na linha do tempo. Na língua indígena temos um ser mítico chamado Tupã, os missionários traduziram tupã como o deus cristão, Tupã não é deus, para a construção bíblica deus é onipresente, onisciente e onipotente devemos reverencia e obediência submissa a deus, logo, tupã não é deus. Da mesma forma que anhangá não é o diabo, já que para a bíblia esse ser representa o mal absoluto, logo anhangá não é o diabo. Tem certas palavras (se não todas) que a única forma de se traduzir de uma língua para outra, é com um texto corrido muitas vezes com algumas páginas descrevendo todo um contexto e significância histórica e imagética que uma palavra tem para um determinado povo/falante.

Toda tradução imprime um discurso, o discurso do tradutor, ou dos tradutores, esse discurso está na escolha das palavras, na escolha da ordem.

Um tradutor, de forma profissional, busca uma tradução que atenda o cliente e o público que que irá consumir sua tradução, e a depender desse público podemos ter uma tradução mais fiel ao original ou mais adaptado a língua fim.

Perguntemos as palmeiras.

Todo esse pensamento sobre tradução e seus processos e práticas nos serve nessa pesquisa em dois momentos crucias, o primeiro é em uma questão técnica-poética: Buscamos nessa pesquisa estabelecer um espaço onde seja possível uma comunicação com o invisível, e escolhemos as ondas eletromagnéticas como meio para essa troca, entretanto não podemos ouvir, de forma natural, as ondas eletromagnéticas, e para conseguirmos ouvi-las passamos as ondas por um processo de amplificação por componentes químicos-eletrônicos e depois essa onda vibra uma membrana que está em uma “boca de som”, logo o que ouvimos é o som que o movimento dessa membrana faz, e isso, para nossa pesquisa, é uma tradução.

O segundo: é a construção desta comunicação, não estamos tentando uma tradução inimaginável de uma “língua” desconhecida para nossa, tentamos (e sempre que possível reforço essa ideia) um espaço onde é possível o desenvolver de uma comunicação, processo esse que é construído em conjunto com o invisível, em TODAS as etapas, desde os aparatos técnicos, aos seus desfechos, sejam quais forem.

Buscamos balbuceios mútuos, em uma tentativa de troca que se desenvolve entendendo e absorvendo os aparatos e traduções que podem ocorrem de ambos os lados da vibração, esse exprimir sonoro tem a possibilidade de crescer e se tornar uma conversa, em que podemos ouvir e sentir as energias, porem inicialmente gaguejemos.

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